Sanjoaninas 2011

Novo livro de Joel Neto apresentado nas Sanjoaninas

Novo livro de Joel Neto apresentado nas Sanjoaninas

Novo livro de Joel Neto

apresentado nas Sanjoaninas

 

Tem por título “Banda Sonora para um Regresso a Casa” (Porto Editora, 2011), e é a mais recente publicação literária do jornalista e escritor terceirense Joel Neto.

A apresentação da obra em Angra do Heroísmo insere-se no programa das Festas Sanjoaninas 2011, dia 23 de Junho, nos Paços do Concelho, pelas 18h30, e estará a cargo de Miguel Monjardino.  

 

 

Os vegetarianos e os nudistas. Os cães e os escritores vivos. Os telefones, o silicone e o socialismo. As raparigas demasiado magras. O Benfica. As mulheres infiéis. O cinema fantástico, os anos 80 e a bem-aventurança em geral. Joel Neto parece coleccionar inimigos ao mesmo ritmo a que vai escrevendo. E, no entanto, garante que tem coração – e que, no limite, até é capaz de comover-se. Neste volume se reúnem as obsessões e os ódios, os delírios e os afectos daquele que é, hoje, um dos principais cronistas portugueses. Um livro que se lê como quem ouve um disco. A caminho de casa.

 

 

“As crónicas sobre embirrações lêem-se com gosto, mas são as elegias açorianas autobiográficas que estão mais perto da literatura, bem como as explorações de temas como o protestantismo, em que o autor foi criado, e o golfe, de que é ávido praticante. (…) Basta a evocação de um clube de infância, o Lusitânia, ou a defesa da tourada à corda ou a memória de mau tempo no canal para que as crónicas se tornem idiossincráticas e mesmo memoráveis.”

PEDRO MEXIA, Expresso

 

“Habituados que estamos ao tom ardiloso e politicamente correcto de muitos cronistas encartados, peritos na difícil arte de ocultar o que lhes vai na alma, estranhamos sempre, enquanto leitores, quando surge uma voz que, em vez de promover consensos, retira evidente deleite no contrário. Ou seja, na promoção de querelas e discussões que têm o condão de sacudir da letargia mesmo o mais sisudo dos seres.”

SÉRGIO ALMEIDA, Jornal de Notícias

 

 

 

O AUTOR:

Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou livros de ficção, de crónica e de reportagem, mas gosta sobretudo de ver-se a si próprio como um “escritor de jornais”. Ganhou vários prémios de reportagem, escreveu para quase todos os grandes jornais portugueses e vem desenvolvendo há mais de vinte anos intensa actividade como cronista. O seu livro “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos 2002) foi adoptado como leitura obrigatória pela Universidade dos Açores. O volume anterior, “O Terceiro Servo” (romance, 2000) foi alvo de estudo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, no Brasil. Esta é uma criteriosa selecção das suas melhores crónicas, a maior parte delas publicada na popular coluna “Muito Bons Somos Nós”, da revista NS’ (suplemento de sábado dos jornais “Diário de Notícias” e “Jornal de Notícias”).

 

 

UM EXCERTO:

“José Guilherme. Toda a minha vida foi, a certa altura, uma reprodução em miniatura da vida grande e inalcançável dele. À noite, quando se acabava o jantar e as mulheres queriam ver a Escrava Isaura, refugiávamo-nos na casa-de-despejo – e então ali ficávamos horas a brincar aos carpinteiros, ele com o seu serrote grande e eu com o meu serrote pequenino, ele com a sua plaina grande e eu com a minha plaina pequenina. De dia, íamos ordenhar as vacas, a Bem-Feita e a Estrela – e então lá subíamos os cerrados os dois, ele com as suas botas-de-cano grandes e eu com as minhas botas-de-cano pequeninas, ele com a sua bilha de leite grande e eu com a minha bilha de leite pequenina, ele subindo a custo, apoiado no seu bordão grande de pau de roseira, e eu imitando-o atrás, quase rindo, com o meu bordão de fona-de-porca girando no ar e despedaçando às escondidas as rocas-de-velha e as suas flores amarelas que davam um suco adocicado e a que chamávamos ‘chupes’. Até que, enfim, ele se sentava numa pedra e puxava da sua boceta grande – e então eu sentava-me ao lado dele e puxava da minha boceta pequenina. (…) Chamávamos-lhe ‘boceta’ – e é assim que eu continuarei a chamar-lhe, independentemente de também a mim as telenovelas brasileiras e as viagens aos trópicos me terem, entretanto, pulverizado a inocência. Persistiu até há uns anos no falar do povo destas ilhas uma pureza e uma precisão que não cheguei a encontrar em Lisboa – e ‘boceta’, garante o Dicionário da Porto Editora, continua a ser a melhor palavra para definir o objecto. (…) Preciso dela. O corrector do meu MacBook não reconhece a palavra, assim como não reconhece ‘lenço-da-mão’, ‘botas-de-cano’ ou sequer ‘garoupa’ – e só regressar a esta casa, à procura de histórias e de palavras que já não existem, me impede de ceder de vez à sua pressão para que escreva como os outros todos.”

“ELE”, PRELUDE

Publicado no dia Terça, 10 Maio, 2011

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